Estará tudo perdido?


Quando escrevi a minha anterior mensagem, ainda acreditava que haveria algum tempo até termos novas eleições.

Acreditava também que nesse tempo surgiriam um, ou mais, movimentos cívicos que nos ofereceriam uma política mais rigorosa, mais digna, mais orientada para os verdadeiros interesses do país, diferente daquelas que foram seguidas pelos dois partidos que, ao longo de muitos anos, nos conduziram à dramática situação em que estamos presentemente.

Porém, como os nossos actuais políticos continuam de barriguinha cheia, apesar do povo já nem ter cinto para a apertar mais, a irresponsabilidade continua.

Foi essa irresponsabilidade que fez com que o Governo tivesse criado condições propícias para a oposição votar contra o PEC IV, que o Presidente da República nada tivesse feito para impedir esse voto, que seguidamente o governo se demitisse e que, enfim, passássemos tão triste imagem para o Mundo, agravando o descrédito do país e comprometendo ainda mais a nossa capacidade de sairmos airosamente desta situação.

Como se isso não chegasse, hoje vemos que o Governo demissionário faz birrinha e diz que não negoceia com a oposição e o Presidente da República, que constitucionalmente deve garantir o regular funcionamento das instituições democráticas, recusa-se a fazer de mediador entre os partidos que virão a ter assento na próxima Assembleia da República e o Governo.

Perante isto, pergunto-me: afinal, quem é que nos pode valer?

É fundamental, é urgente, que alguém, dentro dos partidos, ou fora deles, crie um movimento de mudança.

O protesto da geração à rasca foi um começo. Foi também um bom prenúncio a enorme votação que o povo deu a um candidato independente à Presidência da República, cuja bandeira era a luta por uma melhor cidadania.

Mas a verdade é que isto sabe a pouco… Isto não chega.

De facto, tivemos a oportunidade de eleger sucessivos governantes e estes levaram o país à falência.

Votou-se num Presidente da República que se propunha ajudar o país a sair da crise em que vivíamos e aquele não só permitiu que se adicionasse à crise económica uma crise política, como também se recusa a fazer de intermediário nas negociações, absolutamente indispensáveis, que terão que existir entre os partidos e o Governo, para se poder negociar um auxílio financeiro com o FMI e a União Europeia.

Por fim, se olharmos para as próximas eleições, constatamos que o que presentemente nos está a ser oferecido é que escolhamos para a AR a mesma gente que levou o país à falência.

O PS mantém, inclusive, o mesmo líder que nos arruinou e, num descaramento desmedido, aplaude-o no seu congresso como um herói nacional.

O que é que aconteceu ao nosso país? Como é que as pessoas honestas que (ainda) nele habitam – a maioria, quero crer – são capazes de aceitar que Portugal seja achincalhado em todo o Mundo da forma que está a ser?

Será que nos partidos não resta senão meia dúzia de pessoas sérias que já não têm força para virar a situação? Que têm medo de se opôr aos chicos-espertos que dominam a política nacional?

Será que, ao contrário do que eu entendia há poucas semanas atrás, vai mesmo ter que ser o povo a pôr ordem na casa, através duma nova revolução?

Espero que assim não seja e que ainda se possa salvar Portugal através do exercício da democracia. Isto, apesar de quem deve garanti-la parecer pouco interessado em fazê-lo.

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2 comentários

  1. O problema da nossa democracia é não assentar no mérito.
    Vemos este fim-de-semana 1 congresso do PS em que o seu líder é aplaudido em peso!
    A razão é simples, é neste fim-de-semana que se escolhem as listas para as legislativas…
    Quem está contra não terá lugar! É simples.
    Se 1 partido para Lisboa tiver na sua lista 10 nomes, eu para eleger o 8º nome tenho de eleger os 7 anteriores, concorde ou não, goste ou não.
    Por outro lado se 1 político disser a verdade não será eleito.
    Como exemplo, se alguém falar do que aí vem e falar verdade teremos:
    1. Funcionários públicos – 700 mil votos
    2. Restantes trabalhadores – 5 milhões de votos
    3. Reformados – 2 milhões de votos

    Funcionários públicos – http://oportugalbipolar.blogspot.com/2011/04/com-intencao-de-reduzir-despesa-com.html
    Restantes trabalhadores – http://oportugalbipolar.blogspot.com/2011/04/perfect-storm-xxivfuncionarios-publicos.html
    Reformados – http://oportugalbipolar.blogspot.com/2011/04/perfect-storm-xxvos-reformados.html

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    1. piradodamona · · Responder

      Provavelmente uma das coisas que vai ter que ser feita será alterar a nossa Constituição e torná-la mais democrática.
      De facto, não faz sentido, em meu entender, que tenhamos que “comprar” as listas inteiras.
      Com as actuais regras basta escolher um bom cabeça de lista e o resto, sejam corruptos, incompetentes, criminosos, ou apenas aldrabões e vigaristas, vai tudo atrás.

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