Votar, ou não votar?


O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, sugeriu há alguns dias aos portugueses que não votassem nas próximas eleições legislativas como forma de manifestarem o seu desagrado com a classe política.

Apesar de partilhar desse desagrado e de muitas das ideias do bastonário (como aquelas que exprimiu há alguns meses, na abertura do ano judicial), não posso, de forma alguma, concordar com o que agora sugere.

Por um lado, a ideia em si não é praticável, pois pelo menos os políticos, as suas famílias e a respectiva clientela iriam sempre votar.

Por outro, não votar é, na prática, repudiar a democracia. 

Ora se a que temos está longe de ser perfeita, ela é, apesar de tudo, o regime  político que mais direitos oferece aos cidadãos comuns. Repare-se, a propósito, que os países mais desenvolvidos do mundo são, todos, democracias.

Por isso, no meu humilde entendimento, devemos ir votar.

Estamos em desacordo com todos os partidos? Anulamos o nosso voto.

Um voto nulo, esse sim, representa descontentamento. A abstenção sugerida por Marinho Pinto significa desinteresse.

Na segunda-feira que se seguiu às últimas eleições presidenciais encontrei um amigo de longa data a quem perguntei se tinha ido votar. Respondeu-me que obviamente tinha ido, mas que no voto tinha escrito, em letras bem carregadas: “Viva o Rei!”. Não que fosse monárquico, apenas porque queria que ficasse bem claro que não aprovava nenhum dos candidatos…

Pois bem, aí está uma forma democrática de protesto.

Mas não podemos, obviamente, ficar por aqui. Devemos exigir que a Constituição seja modificada de forma a que os candidatos às eleições por um determinado círculo eleitoral devam nele ter residência; devemos também exigir que sejam criados mecanismos de responsabilização dos dirigentes políticos pelos actos que praticam no exercício das suas funções; devemos protestar (como fez a “geração à rasca”), quando sentimos que algo não está bem; devemos pedir ao Parlamento que debata os assuntos que nos interessam (usando o direito de petição); devemos, enfim, usar mais os mecanismos de actuação que a própria democracia nos concede, criando até, em última análise, novos partidos políticos.

O que não está bem em Portugal é a apatia do povo em relação ao que está errado. É também o encarar a política como o futebol, votando-se sempre no mesmo partido, mesmo quando só faz asneirada. É contra este estado de coisas que temos que lutar.

Em vez de apostarmos na inacção (e não votar é exactamente uma forma de inacção…), devemos apostar na acção.

Lutemos para restituir a Portugal a dignidade perdida. Ponhamos o sistema de justiça a funcionar e julguemos e condenemos, se for caso disso, quem merece ser julgado e condenado.

Dêmos um novo e melhor rumo a este país.

Tal como Marinho Pinto, também eu me sinto apreensivo quanto ao futuro das minhas filhas. Tal como ele, tento promover uma mudança positiva. Hoje estamos em desacordo, mas apenas quanto aos métodos a seguir. Quanto aos resultados a obter, não há qualquer divergência.

Aqui fica uma parte da intervenção daquele senhor na abertura do ano judicial. Vale a pena ouvi-la. Vale a pena reflectir sobre a mesma…

 

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