Ainda Fernando Nobre


Ao contrário de uma certa pessoa que disse uma vez que nunca tinha dúvidas e raramente se enganava, eu tenho, infelizmente, muitas dúvidas e já me enganei mais vezes do que gostaria.

Uma das vezes em que isso aconteceu foi quando me convenci de que iríamos ter rapidamente o ensejo de saber o que levou Fernando Nobre a aceitar o estapafúrdio convite de Passos Coelho para assumir o lugar de Presidente da Assembleia da República. Sim, estapafúrdio porque não faz sentido convidar alguém para ocupar um lugar do qual não dispomos… Sim, também, porque Fernando Nobre, pela sua formação e experiência não parecia ser a pessoa mais indicada para desempenhar aquelas funções.

O que me levou a convencer-me de que depressa saberíamos o motivo da aceitação do convite, foi pensar que, apesar de tudo, Fernando Nobre seria efetivamente eleito para aquele cargo (foi, de facto, a primeira vez que o candidato proposto pelo partido com maior número de assentos parlamentares não foi eleito…) e que a sua atuação rapidamente deixaria ver quais tinham sido as suas motivações para assumir tal responsabilidade.

Mas Fernando Nobre não só não foi eleito para presidente da AR, como renunciou ao cargo de deputado, regressando à sua atividade humanitária

Assim sendo, vai demorar mais algum tempo  a esclarecer-se este assunto.

Mas não estar esclarecido é mesmo isso. Ou seja, se não consegui descortinar com certeza quais foram as verdadeiras motivações de Fernando Nobre, não posso, de forma alguma, atribuir-lhe motivações imaginárias e – pior do que isso – insultá-lo por essas imaginadas motivações. Pessoas há que não perceberam, sequer, que por ter aceite o convite de Paços Coelho Fernando Nobre não aderiu ao PSD, continuando a ser o que sempre foi na vida: um independente.

Agora até o acusam de ser um corrupto, por pôr a trabalhar com ele na AMI a própria família! Mas a AMI não é uma fundação privada, criada pelo próprio Fernando Nobre? Então qual é a surpresa de ele escolher para trabalhar consigo as pessoas nas quais mais confia?

Fernando Nobre desempenhou para o país e para o mundo, nos últimos decénios, um papel demasiado importante para o podermos enxotar sem mais, como se escorraça um animal que não se portou bem.

Infelizmente, nós portugueses além de termos dificuldades em elogiar quem o merece, conseguimos, não raras vezes, transformar virtudes em defeitos e defeitos em virtudes. Espero que não venha a ser o caso com Fernando Nobre, homem que muito pode ainda dar a Portugal.

Ao contrário do que ouço dizer a muita gente, eu vou continuar a apoiar a AMI naquilo que puder, a menos que me apresentem provas inequívocas de que o meu dinheiro está a ser mal aplicado.

Quanto àqueles que decidiram julgar e condenar sumariamente Fernando Nobre, espero que não se queixem  daqui a algum tempo que em Portugal tudo está demasiadamente centrado nos partidos e que há falta de candidatos independentes a lugares políticos.

O chamado défice de cidadania de que muito se fala também tem muito a ver com a forma como nos comportamos relativamente aos poucos que tentam remar contra a maré.

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