Fim de um ciclo?


Uma das minhas amigas, por sinal licenciada em História, diz-me, há bastante tempo, que nos encontramos no fim de um ciclo económico e que essa é a principal razão da existência de tanta instabilidade política, social, mas sobretudo económica.

Sendo impossível comprovar se de facto assim é (só no futuro teremos possibilidades de avaliar corretamente o presente), cada vez me inclino mais a concordar com aquele ponto de vista.

Uma das coisas que parece evidente é que os governos dos países têm vindo a perder progressiva e rapidamente a sua capacidade de influenciar o desenvolvimento das suas economias.

Os países, pelo menos os que têm importantes deficits (a maior parte dos países ditos desenvolvidos…), estão efetivamente reféns daquilo a que chamamos “os mercados”. Muitos deles já não desenvolvem políticas para agradar e ajudar as suas populações, mas, como é o caso do nosso Portugal, quase apenas para agradar aos referidos mercados.

Mas sendo os mercados uma entidade de contornos indefinidos, acéfala, não só é impossível negociar com ela, como também, não raras vezes, perceber quais são os seus desejos.

Por outro lado, se é verdade que os mercados se comportam como um velho agiota, sempre pronto a aproveitar a desgraça alheia para obter mais lucro, não é menos verdade que enquanto um agiota sem escrúpulos poderia ser acusado de usura e eventualmente punido pelo sua cupidez, estes mercados incorpóreos exercem a usura livremente, promovendo o cada vez maior enriquecimento de uns poucos à custa do empobrecimento de milhões.

Mesmo quando se conseguem identificar alguns dos responsáveis pelas desgraças económicas que nos últimos anos atingiram a humanidade, como aconteceu com os produtos tóxicos que conduziram à falência do Lehman Brothers,  a verdade é que eles não só não foram punidos, como continuam a gozar os milhões de dólares com que ilicitamente enriqueceram. Alguns deles desempenham até, atualmente, importantes papéis junto dos respectivos governos.

Ou seja, os governos, nuns casos por não poderem, noutros claramente por não quererem, nada de verdadeiramente importante fazem para reverter este ciclo de afundamento das economias e o cada vez maior empobrecimento de grande parte da humanidade, submetendo-se docilmente à força do dinheiro.

Uma das coisas que também muitas vezes me pergunto é como vamos aumentar significativamente os postos de trabalho se cada vez mais as empresas procuram reduzir o número dos seus trabalhadores e cada vez há mais meios para o fazer (computadores, robots, máquinas diversas, sofisticados meios de comunicação…).

Parece haver, de facto, necessidade de se mudar de sistema, pois as fórmulas tradicionais não estão a resultar…

No meu entender, para se evitar o caos social e económico para que rapidamente estamos a caminhar temos que colocar definitivamente o ser humano no centro das nossas atenções. A economia não pode existir apenas para servir mercados, ela tem que estar ao serviço do Homem.

Assim, para que possa haver uma real mudança, temos que ter governos verdadeiramente independentes, que sirvam efetivamente o interesse público. Para isso, têm que ser criadas leis que acautelem e punam todas as situações de corrupção, todas as situações em que quem nos governa, em vez de servir os interesses da comunidade que o elegeu, se aproveita, em benefício próprio, do poder que lhe foi conferido. Tem também, obviamente, que se pôr os tribunais a funcionar de forma correta, para  que essas leis sejam mesmo aplicadas, independentemente do estatuto do eventual infractor.

Mas não é só o tipo de governantes que tem que ser mudado. Os cidadãos também têm que modificar os seus comportamentos.

Para isso, têm que ser reeducados no sentido de serem levados a perceber que o Estado somos todos nós e que não teremos um bom Estado se não melhorarmos o nosso desempenho enquanto cidadãos. Esta mudança de mentalidade tem que começar já a ser feita, principalmente nas escolas, onde estão os futuros habitantes deste país.

Se dúvidas tivermos sobre a possibilidade de levarmos a cabo uma tal mudança, olhemos para os países nórdicos. Em 1870, por exemplo, Portugal tinha um PIB superior ao da Suécia, ao da Dinamarca, ao da Finlândia  e ao da Noruega, mas daí para cá a vantagem desses países tornou-se abissal… (http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_regions_by_past_GDP_(PPP) ). O que aconteceu para que isso se verificasse? A resposta é simples: enquanto esses países apostaram no conhecimento, na evolução tecnológica, na qualidade e nos valores sociais, nós deixamo-nos afundar na ignorância, na falta de qualidade, no desenrascanço e, particularmente depois do 25 de Abril, no chico-espertismo e na corrupção.

Vale a pena ver esta parte da edição do programa da SIC Notícias “Plano Inclinado” em que o já falecido Professor Doutor Ernâni Lopes nos apresenta a estratégia que Portugal deve seguir para ter um futuro digno. (É que, conforme nos diz esse ilustre Mestre, futuro sem dignidade qualquer um tem!…).

Ernâni Lopes no programa “Plano Inclinado”

E já agora, esperando não estar a abusar da vossa paciência, sugiro também que vejam esta notícia da SIC sobre a Dinamarca e que reflitam se não vale a pena mudarmos de atitude.

Os mais felizes do mundo
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One comment

  1. Gostei particularmente dos vídeos.
    Parabéns!

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