Duarte Lima e o Descrédito da Classe Política


Em Portugal a classe política é muito mal vista pela população, ao ponto de muita gente, muito mais do que seria razoável, entender que, pura e simplesmente, não existem políticos honestos.

Para esta péssima classificação dos políticos contribuíram uma sucessão de escândalos, envolvendo indiscriminadamente importantes elementos dos partidos que estiveram no poder nas últimas décadas, muitos dos quais nunca convenientemente esclarecidos pelas autoridades, mas amplamente divulgados e comentados pela comunicação social.

O desprestígio da classe política foi-se estendendo progressivamente a outras instituições, atingindo com particular intensidade os Tribunais, sobre os quais a maior parte da população diz, aberta e convictamente, que só condenam os mais pobres.

Ou seja, os portugueses sentem cada vez mais que não têm quem os defenda, que não têm quem garanta, afinal, as liberdades e os direitos que teoricamente a Constituição lhes atribui.

Dito de outro modo, os portugueses sentem-se cada vez mais entregues a si próprios, sem saber a quem recorrer em caso de necessidade.

Apesar disso, porém, havia ainda um sentimento de que, pertencendo Portugal ao conjunto de países ditos desenvolvidos, existiam alguns limites à “libertinagem” da classe política e à de todos aqueles que se vão aproveitando da ineficácia das nossas Leis e dos nossos Tribunais.

O caso Duarte Lima, ao envolver a possível prática de um crime de homicídio, cometido por razões de fria matemática financeira, por um português sobre uma cidadã portuguesa, arrisca-se a destruir a última réstia de confiança que os portugueses depositavam nas instituições do país.

Se esta situação não for devidamente esclarecida, os portugueses vão chegar à conclusão de que no nosso país, os políticos podem fazer tudo, mas mesmo tudo, inclusive matar, sem serem punidos.

Um sentimento dessa natureza é extremamente perigoso.

Primeiro, pela revolta que pode instalar nas pessoas, sobretudo num momento em que são solicitadas a fazer sacrifícios impostos, em grande medida, pela deficiente gestão do país por parte da classe política que agora solicita esses sacrifícios e que, ainda por cima, pouco ou nada sofre com a situação que causou. 

Depois, porque se pode chegar ao ponto, sobretudo em casos futuros, de se querer fazer justiça pelas próprias mãos, situação a todos os títulos inaceitável e que representaria um verdadeiro retrocesso civilizacional do nosso país.

Por tudo isto, é fundamental que perante a gravíssima acusação que está a ser feita pelas autoridades brasileiras, Portugal assegure um julgamento justo de Duarte Lima e, se for caso disso, uma exemplar punição. Em nome da Justiça e da Paz social no nosso país.

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