Separar ou não separar o lixo?


Embora a separação do lixo, para poder ser mais tarde reciclado, já tenha entrado nos hábitos de grande parte dos portugueses, há ainda quem se recuse terminantemente a fazê-lo.

Uma parte significativa dos que se recusam, justifica essa atitude com dois argumentos principais: que não querem destruir os postos de trabalho daqueles que fazem a separação quando não a fazemos em nossas casas; e que na fatura da água já estão a pagar para o lixo ser separado.

Como o estado do ambiente é para mim um aspeto muito importante, vou explicar aqui porque é que estão errados os argumentos usados por essas pessoas.

Imaginemos uma simples folha de papel que, estando já escrita dos dois lados e não tendo para nós mais utilidade, vamos colocar no lixo.

Se a misturarmos com o lixo orgânico, ela vai ficar toda emporcalhada, completamente impregnada por todas os detritos que estão junto dela, inclusivamente gorduras. Ora, todos sabemos que um papel sujo já não é reciclável. Significa isso, portanto, que se nós não colocarmos essa folha no contentor azul, no papelão, ela nunca mais vai poder ser reciclada e não vai, por isso, ajudar a manter os postos de trabalho daqueles que trabalham nas empresas de reciclagem de papel.

A este meu argumento poderão responder os mais céticos que logo fui eu dar o exemplo do papel, quando com os outros materiais não acontece a mesma coisa.

Pois bem. Tomemos, então, como exemplo, uma garrafa de vidro.

Se nós juntarmos essa garrafa ao lixo orgânico, ela vai ser recolhida, como aconteceria com a folha do exemplo anterior, por um camião, que sendo destinado a esse tipo de recolha, está, na maior parte dos casos, dotado de um compressor que vai compactando o lixo à medida que é recolhido, para aproveitar o mais possível o espaço disponível no veículo. Assim sendo, não tardará muito que a referida garrafa esteja partida em mil pedaços que se vão misturar de tal maneira com o resto do lixo que já não é mais possível separá-los do mesmo.

Além disso, o camião que recolhe o lixo orgânico não leva esse lixo para qualquer unidade destinada a preparar os materiais para reciclagem.

Havendo circuitos diferentes para cada tipo de produtos – os orgânicos seguem um caminho e os materiais recicláveis seguem outro – quando algum material reciclável entra no circuito errado, perde-se a oportunidade de o reciclar e, portanto, mais uma vez, tiramos trabalho aos colaboradores das empresas de reciclagem e dos centros em que é feita a separação.

O que foi dito relativamente ao papel e ao vidro aplica-se, evidentemente, com as necessárias adaptações, a  todos os outros materiais recicláveis.

Os plásticos que depositamos no contentor amarelo têm, inclusivamente, que ser separados por tipos, coisa que vai implicar o uso de mais mão-de-obra para fazer essa separação.

Ou seja, ao não separarmos o lixo, não estamos a promover o emprego nos centros de triagem. Pelo contrário, estamos a destruir muitos postos de trabalho.

Quanto ao pagamento, outro dos aspetos apontados por quem não separa, não pode ser motivo de justificação para essa atitude. Primeiro, porque a recolha seletiva dos lixos, necessária para se proceder à sua reciclagem, tem efetivamente custos adicionais (basta pensar como era feita antigamente a recolha e como é feita agora e os equipamentos sofisticados e caros que se usam). Por outro lado, tudo na vida tem um custo. Se queremos um mundo melhor e mais limpo temos que pagar por isso. E acham que não vale a pena?

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A LIPOR – Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto, por exemplo, trata por ano mais de 15 mil toneladas de vidro que permitem fabricar 45 milhões de garrafas.

Saiba mais sobre o modo como são tratados os lixos no Grande Porto

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