Passos Coelho: desemprego, uma oportunidade?


 outrem Tenho um amigo, pessoa a chegar aos setenta anos de idade, que várias vezes me disse que se não tivesse ficado sem emprego há uns anos atrás, nunca teria tido o sucesso na vida que tem hoje. Conheço, além deste, alguns outros casos semelhantes.

É claro que o desemprego é sempre uma oportunidade de mudança. É óbvio, porém, que essa mudança terá maior ou menor probabilidade de ser bem sucedida conforme o estado da economia no momento em que ocorre e conforme a idade e a situação de quem fica desempregado.

Se há uns 20 anos atrás praticamente qualquer negócio que se montasse dava dinheiro, atualmente a probabilidade de insucesso é muito maior.

Mas significa isto que os desempregados devem ficar eternamente à espera que alguém lhes dê o desejado emprego? Seguramente que não. Têm é que ser mais cautelosos no lançamento de qualquer negócio, pois atualmente não se pode fazer nada sem um estudo prévio bem elaborado.

Um dos motivos de insucesso de muitos dos negócios que são agora lançados, alguns deles com apoios da Segurança Social, é a falta de planeamento e de estudo. São, por exemplo, aprovados pelos Centros de Emprego planos de negócio que não lembram ao diabo!…

Por isso, uma das coisas em que o Governo devia investir era em dotar os centros de emprego com verdadeiros especialistas em empreendedorismo que não só pudessem avaliar corretamente os projetos, mas também aconselhar os desempregados a escolher os negócios/atividades com mais probabilidades de êxito e encaminhá-los, se tal tivesse pertinência, para formação adequada que potenciasse essas probabilidades.

No meu entender, aquilo que foi dito por Passos Coelho peca apenas por ser demasiado óbvio: nalguns casos, terão que ser mesmo os próprios desempregados a criar os seus postos de trabalho. E não apenas os jovens, mas também aquelas pessoas que foram apanhadas pelo desemprego na meia-idade, naquela fase em que “estão velhos de mais para arranjar emprego, mas novos de mais para conseguirem a reforma”.

Note-se que eu disse nalguns casos. Todos sabemos que ser empreendedor exige um conjunto de caraterísticas que só existem num número relativamente pequeno de indivíduos. Esquecer isto, é não olhar para um dos aspetos mais importantes desta questão.

Mas a economia do país sairia, de facto, muito beneficiada, se um número significativo de atuais desempregados – aqueles que são mais capazes de se tornar empreendedores – deixasse de apostar exclusivamente na obtenção de um trabalho por conta de outrem e tentasse criar o seu próprio trabalho, nem que fosse apenas como independente.

Quanto ao Governo, em vez de ficar pelos discursos mais ou menos ofensivos (aquele da pieguice foi de bradar aos céus!) devia empenhar-se efetivamente em ajudar, de forma determinada e coerente, aqueles que decidem correr o risco de empreender.

É que quem quer que tenha, ou já tenha tido, o seu próprio negócio, sabe que o Estado é o principal elemento perturbador do funcionamento das empresas, exigindo, inclusive, impostos sem ter em conta a sua situação real. Isto, sem esquecer que embora os empresários também descontem para a Segurança Social, não beneficiam de subsídio de desemprego se acabarem por ficar nesta triste situação.

Além disso, deixo uma última pergunta: será que estão criadas em Portugal condições para que quem quer desenvolver um negócio honesto e consistente o consiga fazer, ou, pelo contrário, o mercado está uma autêntica selva, em que só os mais desonestos e desenrascados (no pior sentido da expressão) conseguem brevemente resistir?

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