Os Fumos do Gasóleo Causam Cancro – Mais um motivo para se apostar nas energias renováveis


Há poucos dias, mais propriamente no passado dia 12, em Lyon, França, a Agência Internacional para a Pesquisa do Cancro – IARC (que faz parte da Organização Mundial da Saúde – http://www.iarc.fr/) fez um anúncio que nos devia ter deixado a todos muito preocupados: que obtivera prova bastante de que os fumos do gasóleo provocam cancro.

Já em 1988 aquela agência havia classificado aqueles fumos como potencialmente cancerígenos para os seres humanos, incluindo-os no grupo 2 das substâncias por si classificadas como sendo, ou podendo ser, causadoras de cancro. Mas agora, depois de anos de pesquisas, os peritos daquela agência não hesitam em mover para o grupo 1 (substâncias cancerígenas) os fumos decorrentes da queima de gasóleo (a lista completa pode ser consultada aqui:  monographs.iarc.fr/ENG/Classification/ClassificationsGroupOrder.pdf).

No comunicado de imprensa elaborado pela agência (http://press.iarc.fr/pr213_E.pdf) pode ler-se, por exemplo que o Dr. Christopher Portier, presidente do grupo de trabalho que investigou este assunto, afirmou que “a prova científica era irrefutável e a conclusão do grupo de trabalho foi unânime: os gases de escape dos motores diesel causam cancro dos pulmões nos seres humanos”.

No mesmo comunicado lê-se ainda que aquele investigador, referindo-se às substâncias libertadas pelos motores diesel, disse também que “atendendo aos impactos adicionais das partículas do diesel na saúde, a exposição a esta mistura de químicos devia ser reduzida a nível mundial”.

Por seu turno, o Dr. Kurt Straif, responsável pelo programa de monografias da agência, também citado no mesmo comunicado, embora referisse que os estudos principais que levaram à conclusão atrás apontada tinham incidido sobre trabalhadores altamente expostos a fumos do gasóleo, lembrou que há que ter em conta o que aprendemos com outros produtos cancerígenos, como o rádon. É que estudos iniciais mostrando a existência de um risco em grupos de trabalhadores altamente expostos a essa substância foram seguidos de conclusão idêntica para a população em geral. Este investigador manifestou, por isso, o entendimento de que as ações para reduzir a exposição aos fumos do gasóleo devem envolver não só os trabalhadores mais expostos aos mesmos, mas também a população em geral.

Note-se que os fumos da gasolina continuam a ser considerados como potencialmente cancerígenos e por isso mantêm-se no grupo 2 da classificação atrás mencionada.

Esta notícia é um argumento adicional para uma clara aposta nas energias renováveis não poluentes (hídrica, solar, eólica, geotérmica, marés, ondas, correntes marítimas e na menos conhecida energia azul http://pt.wikipedia.org/wiki/Energia_azul).

Como é também um motivo adicional para se retomar a aposta – e em força – nos veículos elétricos.

Em Portugal dispomos de energias renováveis em grande abundância, que esperam apenas que as saibamos e queiramos aproveitar.

Mas infelizmente, por razões que ainda não consegui entender de forma clara, o nosso atual governo, que tanto diz – e bem, no meu entender, quando se trata de excesso de endividamento – que é fundamental não prejudicarmos as gerações futuras, parece não perceber que proteger essas gerações também passa por se encontrarem formas alternativas à produção de energia através dos combustíveis fósseis.

Mais uma vez, há que saber distinguir investimentos de despesas. Construir uma autoestrada que já não é precisa e que só serve para dar dinheiro a meia dúzia de amigalhaços, como foi feito no passado, é uma despesa. Apostar em energias renováveis é claramente um investimento.

A mim, revolta-me pagar autoestradas que estão às moscas e parecerias público-privadas mal negociadas, mas confesso que – desde que eu possa pagar e veja resultados – é com algum prazer que pago uma energia mais cara, mas que sei que é melhor para o ambiente, que é paga principalmente a portugueses e não aos produtores de petróleo e que gera postos de trabalho em Portugal.

A partir de agora, quando notar que as energias renováveis estão a aumentar um pouco a minha fatura da eletricidade, vou ter outro pensamento compensador: que é preferível gastar esse pouco mais dinheiro em energia limpa, do que em despesas de saúde e que esse pequeno montante mensal pode ajudar a evitar muito sofrimento e muitas despesas ao país.

E termino com uma pergunta: porque é que a nossa comunicação social deu tão pouco destaque a esta notícia, ao contrário do que aconteceu noutros países?

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Loja Lusa

Blog dedicado ao melhor de Portugal e dos produtos portugueses.

O Que Dizes Tu?!

Os olhos dizem o que as mãos pensam

The Fujifilm Blog

We love pictures, like you!

O Informador

Jornalismo, média, actualidade nacional e internacional

The Daily Post

The Art and Craft of Blogging

Desvio Colossal

Macroeconomia, Finanças Públicas & Economia portuguesa

Ilimitado

"Nunca se alcança objetivos com lágrimas"

No Reino da Dinamarca

Something is rotten in the State of Denmarke

Aventar

Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

VAI E VEM

Não renunciarás à tua liberdade de expressão e de opinião

The WordPress.com Blog

The latest news on WordPress.com and the WordPress community.

%d bloggers like this: