Basta Sr. Primeiro-ministro!


Como bem sabem os meus amigos mais íntimos e os meus familiares mais chegados, há muito tempo que me preocupava com o rumo que o país estava a seguir no que a despesas dizia respeito. Para mim, era perfeitamente claro que a reduzir constantemente a produção e a aumentar desenfreadamente o consumo iríamos um dia ficar sem dinheiro para pagar as dívidas que havíamos contraído.

Depois de, durante muitos anos, ter sido apelidado de otimista, vi-me, para minha surpresa, apontado como pessimista.

Confesso, porém, que apesar do meu “pessimismo”, em nenhum momento imaginei que iríamos chegar à situação atual.

É verdade que eu desconfiava que os partidos que até aqui desgovernaram o país, servindo apenas de forma cada vez mais eficiente e descarada as suas clientelas, dificilmente conseguiriam resolver a difícil situação económica em que nos encontramos. Mas nunca pensei que se chegasse a um tal nível de insensibilidade política e económica!

Uma das ideias que não tive nenhuma dificuldade em entender quando estudei economia política na faculdade de direito, foi a da “utilidade decrescente do dinheiro”. Qualquer um entende, de facto, que para aquele que tem pouco dinheiro todo o cêntimo é importante, mas para quem é rico, uns tantos euros a mais ou a menos pouca diferença fazem.

Ora, sendo o nosso primeiro-ministro economista (espero que não tenha obtido o curso como o Sr. Relvas…) a questão da utilidade decrescente do dinheiro devia ser para si ainda mais clara. Olhando, no entanto, para as medidas que o seu Governo acaba de anunciar fico com dúvidas.

Como é que o senhor primeiro-ministro espera que os portugueses, cuja esmagadora maioria já está a cortar em bens essenciais, como serviços médicos e medicamentos, continuem a cumprir as suas obrigações (rendas, empréstimos, propinas e os impostos e as taxas que o senhor quer arrecadar…) se o dinheiro que recebem mal chega para tudo isso e o Governo se prepara para mais um assalto? Sim, assalto, Sr. primeiro-ministro, porque tirar trinta e cinco euros por mês a quem já só recebe o mísero salário mínimo nacional deste país é mesmo um assalto.

Como é um assalto aumentar contribuições para a segurança social dos trabalhadores para dar a diferença às empresas.

Dizem os senhores que vão conseguir gerar 50.000 postos de trabalho com essas medidas. Ao reduzir ainda mais o poder de compra dos portugueses o que vão fazer é enviar para o desemprego muito mais do que esse número de trabalhadores.

Sr. primeiro-ministro, quando começou a governar dei-lhe o benefício da dúvida. Agora, porém, só posso retirar-lhe esse benefício. As suas medidas têm, comprovadamente, agravado de forma substancial o fosso entre os ricos e os pobres e destruído progressivamente a nossa economia. E ao contrário do que o senhor diz não há quaisquer perspetivas de melhoria nos próximos anos com as medidas que está a anunciar.

Eu até entendo que o sr. ministro das finanças alemão diga que o plano da troika está a resultar no nosso país. A verdade é que as perspetivas da Alemanha receber o dinheiro que nos emprestou têm vindo a aumentar, mas não se admite que diga o mesmo o nosso primeiro-ministro, uma pessoa que foi eleita dizendo que ia acautelar os interesses dos mais desfavorecidos e que todos os dias sabe da miséria que cresce em Portugal como uma epidemia.

Governar não é roubar aos pobres para dar aos ricos. Nem é, perceba-o duma vez por todas, voltar a um liberalismo bacoco que acredita que as leis do mercado tudo resolverão. Governar é criar condições para todos viverem com dignidade.

Se é certo que temos que pagar as nossas dívidas, não é menos verdade que temos que ser mais imaginativos para obtermos receitas e para reduzirmos as despesas. E mais firmes na negociação com os nossos credores. Quem se esforça por cumprir – e todos nós nos temos esforçado – tem também o direito de obter alguma condescêndência dos seus credores.

Temos que mobilizar os portugueses para apostarem em novas atividades, como as energias renováveis, o turismo cultural, a piscicultura, etc., etc. Temos que arranjar novas fontes de riqueza e reduzir em tudo o que é verdadeiramente supérfluo (e ainda há tanta coisa a fazer!…). Temos que ter um programa de desenvolvimento, devidamente estudado e estruturado. Temos que perseguir os crimes económicos com celeridade e eficácia. Temos que acabar com a corrupção e com o clientelismo.

Se o sr. primeiro-ministro e o seu governo não são capazes de governar senão tirando cada vez mais aos pobres, então demitam-se e dêem a outros a oportunidade de fazer o que o senhor e os seus colegas não conseguem.

Para mim, basta!

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