Não gosta de política? Pense bem.


Há muitas pessoas, algumas delas até com formação académica superior, que afirmam, sempre que têm oportunidade, que a política não lhes interessa e que por eles a política e os políticos já teriam acabado há muito tempo, quanto mais não fosse através da execução sumária destes últimos.

Esquecem essas pessoas que a política é uma atividade nobre, que tem a ver principalmente com a administração das nações, com a administração, afinal, daquilo que pertence a todo um povo e que não pode ser, por razões óbvias, administrado diretamente por este.

Ora, se nenhum de nós entregaria a uma pessoa qualquer a administração dos seus bens particulares, nem deixaria de acompanhar a forma como essa administração fosse feita, no caso de a ter entregue a alguém, porque é que não fazemos o mesmo em relação ao património que coletivamente possuímos?

Quando – porque não nos interessamos por política – não vamos votar, ou votamos sem saber bem quem é aquele ou aqueles a quem vamos dar o nosso voto, estamos a deixar que contratem, ou a contratar, para gerir a nossa casa comum, um indivíduo qualquer. Se tivermos sorte, até pode ser que as coisas corram bem, mas é muito mais fácil termos azar, pois sendo de grande valor o que está em causa, não faltam interessados em apropriar-se do que é de todos nós.

Além disso, tão importante como a questão de administrar bem o património colectivo, é o facto desses indivíduos, os políticos, os tais que não interessam a muitos de nós, agirem em nosso nome, quando, eleitos para cargos públicos, tomam decisões no exercício desses cargos.

Porque é que o país se encontra atualmente nesta situação? Porque é que cada vez pagamos mais impostos? Porque é que cada vez há mais desempregados? Porque o país está extremamente endividado. E quem contraiu essas dívidas que agora todos temos que pagar? Foram os políticos que levianamente elegemos, ou que negligentemente deixamos eleger. E fizeram-no em nosso nome.

Têm-nos dito, ultimamente com muita frequência, que somos culpados da atual situação económica porque, durante vários anos, vivemos acima das nossas possibilidades.

Sendo possível que isso tenha acontecido em alguns casos, no meu entender a nossa grande culpa foi não termos tido cuidado com os políticos que escolhemos para governar o país desde que nele foi reinstaurada a democracia, nem termos exigido aos mesmos um comportamento mais correto.

Assim sendo, penso que é chegada a altura de todos nós revermos a atitude que temos tido em relação à política.

É fundamental que passemos a escolher criteriosamente os nossos políticos. Isso passa, não só, por estarmos informados acerca dos mesmos, mas também por não encararmos a política como o futebol. É que se no futebol até fica bem continuarmos a apoiar o nosso clube, mesmo que este só sofra derrotas, na política não faz qualquer sentido continuar a apoiar um partido quando este continuadamente não dá resposta às nossas aspirações, ou se comporta de forma eticamente reprovável.

Não nos esqueçamos que se, de facto, podemos alhear-nos da política, ela nunca se alheará de nós e que quando chegar a hora de pagar os desmandos dos políticos, a conta ser-nos-á sempre apresentada, exatamente como agora está a acontecer.

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