O Regresso de Sócrates


Há um ditado popular que diz: depois de mim virá quem bom de mim fará. Penso que esse ditado poderia, em certa medida, aplicar-se a José Sócrates e a Passos Coelho.

Não quer isto dizer que a governação de Passos Coelho me tenha tornado um apoiante de Sócrates. Continuo a saber dele coisas estranhas que não me inspiram confiança, sendo a mais recente ter ido à televisão dizer que para viver em Paris teve que pedir um empréstimo à banca e saber-se depois que embora se tenha deslocado às instalações da RTP conduzindo um modesto Volkswagen alugado , tinha em sua casa, bem guardadinho, um automóvel de luxo no valor de 95.000 euros, adquirido já depois de ter abandonado o Governo…

O que me levou a recordar o ditado popular que atrás referi foi, pura e simplesmente, a comparação do miserabilismo de Passos Coelho com o otimismo de José Sócrates.

Diz-me a experiência que mais importante que as probabilidades de êxito numa determinada tarefa é acreditar-se que se vai ter êxito, mesmo contra todas as probabilidades.

Ora, aquilo que há muito tempo sinto é que este governo deixou de acreditar na possibilidade de sermos bem sucedidos, na possibilidade de  – certamente com sacrifícios – conseguirmos ultrapassar a difícil situação em que o país se encontra.

Quando se chega ao ponto de se dizer às pessoas para emigrarem está tudo dito. Posso estar errado, mas não consigo imaginar José Sócrates a aconselhar tal coisa.

O nosso atual governo só tem uma estratégia: empobrecimento e mais empobrecimento, até batermos tão fundo que já não possamos descer mais, até batermos tão fundo que passemos a  ser dos mais mal pagos do Mundo e atraiamos assim o investimento estrangeiro que há-de gerar empregos (mas que tipo de empregos?).

Temos uma geração de jovens qualificados que poderiam ajudar o país a sair da crise mas dizemos-lhes para emigrarem.

Éramos dos países mais evoluídos do Mundo no que diz respeito às energias renováveis, mas deixamos de investir nelas, pois são muito caras, continuando a gastar grande parte dos nossos recursos em combustíveis importados que vão enriquecer outros países.

Enfim, confesso que gostei de tornar a ouvir alguém que aparentemente acredita que não estamos condenados a ser eternamente uns miseráveis, que tem ideias para o desenvolvimento do país, que acredita que temos um futuro.

É claro que também sei muito bem que não adianta sonharmos se não tivermos dinheiro para concretizar os sonhos.

Sei também que hoje, mais do que nunca, teremos que apostar em pessoas que venham para a política com um verdadeiro sentido de Estado e que consigam libertar-se da pressão dos partidos para que se utilize a filiação partidária, em vez da competência, como principal caraterística para o preenchimento de lugares-chave da governação.

Por isso, ouvi José Sócrates com muita cautela.

Mas como foi bom ouvir um político que continua a sonhar com um Portugal moderno e próspero, depois destes dois anos de cinzento miserabilismo!…

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