O Senhor Presidente acordou… e agora?


Não sou daqueles que acredita que a situação económica de Portugal é um problema que facilmente se resolve desde que tenhamos a dirigir o país as pessoas certas. Infelizmente, a nossa dívida pública atingiu tais proporções que não vai ser nada fácil pagá-la de acordo com os compromissos que o país assumiu, se é que alguma vez conseguiremos pagá-la completamente.

Admito, por isso, que quaisquer que sejam os governos que tenhamos nos próximos anos, eles vão ter pela frente uma tarefa muito difícil e terão que ter uma atuação muito cautelosa. É que – não nos esqueçamos disso! – nós continuamos sem dinheiro suficiente para sustentar a máquina do Estado e, consequentemente, a depender de empréstimos e por isso não convém que hostilizemos quem ainda nos vai dando algum crédito, ou poderá dar futuramente.

Fiquei, assim, completamente escandalizado quando vi surgir de dentro do Governo uma crise política que devíamos evitar a todo o custo. E embora tenha vindo a discordar da estratégia desenvolvida por este executivo para enfrentar a crise económica, não deixei de registar como positiva a firmeza com que o primeiro-ministro se dispôs a enfrentar essa crise e a conseguir um novo acordo com o CDS que garantisse a estabilidade governativa de que o país precisa e os nossos credores reclamam.

Mas quando tudo parecia resolvido e que, inclusive, se ia iniciar uma nova e mais ambiciosa política económica (embora não tenha percebido muito bem como é que o primeiro-ministro e o previsto vice primeiro-ministro iriam articular as suas funções) eis que surje o Presidente da República, saído da habitual letargia, a fazer tábua rasa do acordo obtido e a “impôr” uma solução tripartida que envolva todos os signatários do primeiro acordo com a troika que nos tem vindo a financiar nos últimos anos.

Porque é que o Presidente fez isto? Talvez nunca o venhamos a saber completamente. No entanto parece-me uma atitude de duvidosa eficácia.

Em primeiro lugar, parece-me praticamente impossível que os três partidos se entendam de forma a constituirem um Governo de coligação. Não havendo tal tipo de Governo, poderemos ter apenas um acordo parlamentar, que rapidamente deixará de existir no meio da tempestade económica que continuará a atingir-nos.

Outra hipótese é a de um governo tecnocrata de iniciativa presidencial.  As recentes experiências na Grécia e em Itália dizem-nos, porém, que também não terá uma grande longevidade… Isto, além de acabar por tirar a responsabilidade da governação aos partidos políticos, àqueles que realmente a devem ter, por todos os motivos.

Finalmente, continuarmos com o atual Governo, mesmo que remodelado, parece também inviável depois da atitude tomada pela Presidência da República.

Restam-nos, então, eleições antecipadas, justamente aquilo que era suposto tentar evitar-se…

Ou seja, por muito que me custe dizê-lo, não consigo ver nada de positivo a sair da intervenção do Sr. Professor Aníbal Cavaco Silva, parecendo-me que foi apenas mais um passo para nos aproximarmos ainda mais da situação grega.

Espero, todavia, estar enganado. Este seria um dos enganos que prazenteiramente assumiria.

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