Tempos novos, políticas antigas: um desafio para os jovens


Quando escrevi o meu último post estava convencido de que o Sr. Presidente da República não teria tomado a atitude que tomou se não tivesse algumas garantias de que a sua proposta de acordo tripartidário teria alguma viabilidade. Por esse facto, nem sequer me atrevi a pôr a hipótese das negociações entre os partidos falharem completamente.

Constato agora, porém, que a minha convicção estava errada e que, afinal, nem sequer um acordo de incidência parlamentar se conseguiu, por muito frágil que fosse.

O arrastar desnecessário da crise política teve, no entanto, as suas inevitáveis consequências e uma delas foi fazer aquilo que a Presidência da República declarou querer acautelar, ou seja, abalar a credibilidade do nosso país. Para o constatarmos basta ler as notícias que surgiram na imprensa estrangeira, principalmente na inglesa (os nossos mais antigos aliados estão, mais uma vez, na linha da frente nas críticas ao nosso país…).

Além disso, o Governo, já fortemente desgastado, ficou ainda mais fragilizado devido à atitude do Professor Cavaco Silva que deixou bem claro, não obstante as suas declarações de ontem, que não confia na remodelação que irá ocorrer.

Quanto aos partidos com assento parlamentar, tampouco escaparam às nefastas consequências da iniciativa presidencial. Em última análise foram eles que não conseguiram chegar ao entendimento que poderia salvar o país de uma austeridade ainda mais difícil.

E o Presidente? Perante a opinião pública, eu diria que não ficou com melhor imagem, dado o fracasso da sua proposta. Perante os partidos e no seio do próprio PSD, é difícil dizê-lo, pois desconheço o que se passou nos bastidores. O futuro se encarregará de esclarecer esta dúvida.

Olhando para tudo o que se passou, o que resulta perfeitamente claro é que a classe política portuguesa está mais preocupada e mais envolvida com os chamados jogos do poder do que em defender os legítimos interesses do país, atitude que acaba por contribuir para o errado branqueamento das posições de algumas personalidades que levianamente põem em causa a existência de partidos políticos e a legitimidade dessa existência.

Não nos esqueçamos de que só há verdadeira democracia com partidos políticos e que a política, enquanto ciência do governo dos países, é uma das mais nobres e mais importantes atividades humanas.

O que tem acontecido em Portugal é que por não terem percebido isso, os cidadãos não se preocupam em eleger bem e em exigir um bom sistema político que separe o trigo do joio.

Mas mais preocupante do que isso, é ver um número crescente de jovens (aqueles a quem a política mais devia interessar), os cidadãos do futuro, a dizerem que não querem nada com os políticos e que nunca votam. Enquanto assim continuarmos, os interesses do país, os nossos interesses coletivos, continuarão a ser secundarizados pelos oportunistas que deixamos dominar as instituições políticas portuguesas. Enquanto assim continuarmos, não nos queixemos dos políticos que temos: eles são fruto da nossa criação.

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