“Professores: os inúteis mais bem pagos deste país” – Comentário de Miguel Sousa Tavares


Tomei conhecimento, numa recente deambulação pelo Facebook, de um texto de uma professora de português, através do qual pretendia responder à afirmação de Miguel Sousa Tavares de que os professores eram os inúteis mais bem pagos do nosso país.

Notei então que o referido texto, publicado num blog em http://fazlike.com/professora-inutil-responde-a-miguel-sousa-tavares-polemica/, estava a ser alvo de grande interesse e a ser profusamente comentado.

Li o texto. Li muitos comentários que lhe foram feitos. Fiz também o meu próprio comentário: http://fazlike.com/professora-inutil-responde-a-miguel-sousa-tavares-polemica/#comment-336

Mas tão rápido quanto bati no “enter” do teclado do meu computador, instalou-se em mim uma intensa dúvida. Afinal, a leitura de muitos artigos de Miguel Sousa Tavares nunca me levara a crer que ele tivesse uma tal ideia sobre os professores!…

Resolvi então fazer umas pesquisas e eis que, a par de muitas ligações para duplicados do texto da mencionada professora, a maioria deles acompanhados pela habitual profusão de comentários, encontro finalmente um link para a polémica afirmação: http://www.youtube.com/watch?v=3pAMyoTKmfQ . Vi e revi o vídeo, mas afinal a afirmação não estava lá. Aquilo de que falava Miguel Sousa Tavares era sobre o lobby dos professores e da reação ao mesmo do nosso Governo. Podia-se estar de acordo com a sua opinião, o comentário podia estar mais ou menos certo sob o ponto de vista técnico, mas não havia nenhum insulto aos professores.

Continuei, por isso, a pesquisar e encontrei realmente um texto de Miguel Sousa Tavares sobre aqueles profissionais, publicado já depois da carta da professora supra referida: http://expresso.sapo.pt/leia-o-artigo-de-miguel-sousa-tavares-sobre-os-professores-publicado-no-expresso-de-sabado=f814601

Iniciei a sua leitura avidamente, identificando o costumeiro estilo cáustico do autor, mas também a sua habitual linha de pensamento, nada consentânea com uma afirmação tão desbocada como aquela que lhe era atribuída. E foi com um crescente sentimento de culpa, por ter, no meu comentário, apodado de “infeliz” a pretensa afirmação de Miguel Sousa Tavares sobre os professores, que acabei de ler o texto, já totalmente convencido de que era falsa a acusação que lhe estava a ser feita.

Não estava, porém, ainda totalmente satisfeito, pois embora já convencido da falsidade da acusação, ainda não tinha uma verdadeira prova disso.

Foi então que deparei com um texto da autora da tão divulgada resposta a Miguel Sousa Tavares que deixou tudo perfeitamente claro. Ele aqui está: https://educar.wordpress.com/2008/04/30/sobre-a-carta-a-miguel-sousa-tavares/. Como podem constatar, a autora admite que Miguel Sousa Tavares nunca fez a afirmação a que ela respondeu. Isto, embora, aparentemente, ela só tenha publicado esse esclarecimento porque lhe ” foi solicitado que publicasse…”.

Chega-se, pois, à conclusão de que os portugueses andam há quase seis anos a aplaudir e a divulgar intensamente uma carta-resposta a uma afirmação que nunca existiu.

Mas ainda há mais. Não só notei que muitos dos comentários ao desmentido da autora da carta continuam a insistir no ataque a MST, como também, nas pesquisas que fiz, descobri que, aparentemente em retaliação à inexistente afirmação daquele escritor e jornalista, foram disponibilizadas gratuitamente na Internet, em clara violação da Lei, em formato pdf, três das principais obras do escritor.

Lamentável história e lamentável povo que a protagonizou.

Em vez de nos preocuparmos com o que se está a fazer com o ensino no nosso país, coisa que põe em causa o futuro de todos nós e, principalmente dos nossos filhos, entretemo-nos a divulgar notícias falsas e a reagir empolada e emocionadamente às mesmas (neste caso, eu próprio incluído, infelizmente).

Que este triste episódio possa servir para, em 2014 tentarmos ser mais críticos em relação às nossas próprias atitudes.

Quanto ao ensino em Portugal, prometo voltar ao assunto num dos meus próximos “posts”.

Feliz Ano Novo!

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4 comentários

  1. António · · Responder

    Qual é a ideia?
    Advogado do execrável MST?

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    1. A ideia é apenas evitar que outras pessoas cometam a mesma asneira que eu cometi e divulguem uma notícia falsa. Ou prefere que se continue a atribuir a MST uma afirmação que ele não proferiu?

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  2. Anónimo · · Responder

    Não sei o que o levou a escrever tanta asneira. Deve ser a idade que não perdoa.

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    1. Quem é que escreveu tanta asneira??? Não estou a perceber o seu comentário… Poderia clarificar, por favor?

      Gostar

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