Elite precisa-se


Elite – 1. O que há de melhor e se valoriza mais (numa sociedade). = ESCOL, FINA FLOR, NATA; 2. Minoria social que se considera prestigiosa e que por isso detém algum poder e influência. In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/elite [consultado em 15-02-2014].

 
Embora me repugne fortemente a ideia de se classificarem formalmente, para efeitos de tratamento diferenciado, quaisquer seres humanos, não posso deixar de reconhecer, após uma experiência de vida já algo longa, que não somos todos iguais no que diz respeito a muitos fatores, tais como educação, cultura, influência, capacidade de expressão, etc., etc. Qualquer especialista em recursos humanos confirmará o que acabo de referir (ou então não terá grande futuro na sua carreira…).
 
Ora, sinto já há bastante tempo que em Portugal não se nota a existência de uma verdadeira elite, tal como é definida no ponto 1 do seu significado atrás transcrito.
 
As razões porque isso acontece são muitas, certamente, mas deixarei a sua análise para os sociólogos. Quanto a mim, vou-me centrar na forma como o cidadão comum olha para aqueles que, consciente ou inconscientemente, bem ou mal, considera fazerem parte da elite do país, a elite que tomam, naturalmente, como o modelo a seguir.
 
Num momento em que há um grande desnorte das populações no que diz respeito a valores, àquilo que verdadeiramente é importante, nota-se que o dinheiro é, sem dúvida, o grande elemento que leva a considerar integrada na elite esta ou aquela pessoa.
 
Mas como o dinheiro não é tudo e muitas vezes proveio de fontes muito duvidosas, o comportamento dessa pseudo elite pode não ser – e frequentemente não é – o mais correto para ser utilizado como modelo.
 
Assim, muitas pessoas habituaram-se a considerar normal a corrupção, o tráfico de infuências, a participação em seitas mais ou menos secretas, as “habilidades” que se fazem para ganhar dinheiro a qualquer custo, a mentira (ou “inverdades”, como agora se diz, para branquear uma palavra que é bastante feia), a deslealdade, etc. Estes comportamentos, embora extremamente graves, vão sendo assim “perdoados”, desde que os interesses daqueles que têm conhecimento deles não sejam afetados. 
 
Só que, porque o Povo no seu íntimo sabe sempre, afinal, o que é verdadeiramente importante, o que torna um cidadão comum num Senhor ou numa Senhora com letra grande, vai-se instalando também o desrespeito por essa pseudo elite.
 
Basta dar uma breve olhadela ao que é dito sobre algumas das personagens mais destacadas do nosso país em qualquer fórum de debate, ou de apresentação de opiniões, para nos apercebermos da forma extremamente insultuosa como a maioria das pessoas se refere a políticos, advogados, jornalistas, escritores, homens de negócios, banqueiros, professores, etc., colocando no mesmo saco classes inteiras de indivíduos só porque os que são mais visíveis nessas classes perderam todo o respeito.
 
Num contexto destes é natural que as pessoas se recusem a participar nas eleições ou que, participando, não reflitam muito sobre aquilo que estão a fazer, pois “eles são todos iguais”.
 
E a verdade é que embora isso seja impossível (é tão estúpido dizer que os políticos são todos iguais, como dizer que as mulheres, ou os homens são todos iguais) o sentimento vai-se espalhando e ninguém se sente responsável por eleger como nossos representantes nos diferentes órgãos do Estado ou mesmo da União Europeia (como é o caso do Parlamento) gente verdadeiramente capaz, gente que integre a verdadeira elite.
 
Numa altura em que se aproximam novas eleições é fundamental que antes de depositarmos o nosso voto nas urnas nos questionemos se este ou aquele concorrente merece de facto integrar a elite deste nosso país, tão mal tratado pela classe que dominou a sua vida política nas últimas décadas.
 
É importante perceber também que quem coloca os políticos nas suas respetivas funções somos nós e que quanto mais nos alhearmos do que se passa na política menos nos identificaremos com eles e com as medidas que eles tomam.
 
Os políticos corruptos não fazem desenvolver os países. Pelo contrário. Basta ver que os países mais desenvolvidos do mundo e onde há melhor qualidade de vida para a generalidade dos cidadãos são aqueles onde se registam os menores indíces de corrupção.
 
Que não tenham sido em vão todos os sacrifícios que fizemos nos últimos anos.
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