Faça-se justiça!


Tenho acreditado, toda a minha vida, na importância da honestidade a todos os níveis, principalmente quando somos chamados a gerir o que não é nosso, como acontece com os políticos. Sinto há muitos anos, por isso, que vivo num país que foi literalmente “entregue aos bichos”.
Assim, o recente surgimento de casos, alguns já com condenações, envolvendo “altas” personalidades da política portuguesa, criou em mim uma expetativa, que, apesar de tudo, temo infundada, de que finalmente a Justiça vai começar a funcionar e que vamos pôr ordem na casa.
Com muitas dúvidas relativamente à origem da riqueza que proporcionava ao nosso ex-primeiro-ministro viver uma vida de luxo em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente em Paris, não fiquei nada surpreendido com as acusações que lhe estão a ser feitas pelo Ministério Público. É que, como diz a sabedoria popular: quem cabritos tem e cabras não tem, de algum lado lhe vem…
Surpreendido fiquei, isso sim, com o facto de ainda haver em Portugal um juíz que fosse capaz de dar ordem de prisão a um político com o estatuto de José Sócrates.
Quanto à prisão preventiva, tão veementemente contestada, por muitos comentadores, políticos, jornalistas e cidadãos comuns, compreendo-a perfeitamente. Sabendo-se quem é o detido não é difícil imaginar que deitasse mão a toda a sua enorme influência para ocultar provas, prosseguir a eventual atividade delituosa, ou até mesmo para fugir.
Sublinho, no entanto, que achar perfeitamente normal a prisão preventiva, não significa, de modo algum, que eu já esteja convencido da culpa do arguido.
O que eu quero – isso sim – é que ele tenha um julgamento justo, o mais célere possível e que no final fiquemos verdadeiramente convencidos da sua culpa ou da sua inocência, qualquer que seja o caso.
Gostaria também, obviamente, como qualquer cidadão que está a pagar – e muito – pelos desmandos cometidos por políticos que nos governam desde há algumas décadas a esta parte, que fossem investigados todos os indícios de crimes cometidos por eles e que, a confirmar-se a existência de delitos, estes fossem exemplarmente punidos.
Num Estado de Direito tem que existir uma verdeira e sólida separação entre os poderes executivo, legislativo e judicial.
Muito mais do que temer juízes excessivamente zelosos, temo políticos altamente desonestos…

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2 comentários

  1. Infelizmente não comungo do teu otimismo sobre o futuro da Justiça em Portugal.
    Acho que queimarem o Socrates foi um caso isolado, fruto de alguma zanga entre padrinhos ou compadres.
    As centenas de casos restantes vão continuar nas gavetas até prescreverem e muitos novos vão surgir.

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    1. Costuma dizer-se que a esperança é a última coisa a morrer.
      Ainda não perdi a esperança de ver Portugal com níveis de corrupção reduzidos e um povo que saiba exercer corretamente a sua cidadania.

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