A PROPÓSITO DA SITUAÇÃO NA GRÉCIA


Tenho seguido com muito interesse, como  muitos dos portugueses, aquilo que tem vindo a acontecer com a Grécia.

Primeiro, foi a vitória do Siriza e a consequente eleição de Alexis Tsipras para o cargo de primeiro-ministro. Depois, tem sido a confrontação do novo Governo grego com a Troika que, tal como aconteceu em Portugal, tem vindo a impor à Grécia um conjunto de medidas de austeridade cego que tem posto na miséria muitos milhares de cidadãos gregos.

Talvez não seja surpresa para nenhum dos meus amigos se lhes disser que bastante gostaria que a Grécia se pudesse libertar das grilhetas com que está manietada e demonstrar aos restantes países europeus que há outras soluções para os seus problemas económicos além daquelas que lhe têm sido apresentadas pela referida Troika. O meu pragmatismo leva-me, no entanto, a duvidar dessa possibilidade.

Começamos logo pela própria situação em que a Grécia se encontra. Devendo cerca de 230 mil milhões de euros à Europa e ao Fundo Monetário Internacional e, tal como nós, necessitando de mais empréstimos para continuar a sustentar-se, como pode aquele país impor-se a quem quer que seja? É que uma coisa é a vontade do novo Governo grego de se libertar da Troika, outra, bem diferente, é a capacidade de o fazer…

Alexis Tsipras foi eleito porque prometeu ao eleitorado libertá-lo da austeridade. Fê-lo, provavelmente, convencido de que conseguiria de facto isso. Mas não se terá esquecido que sem a boa-vontade dos credores internacionais, a Grécia muito dificilmente conseguirá readquirir verdadeiramente a sua independência?

Ou, dito de outra forma, terá a Grécia alternativas, nos curto e médio prazos, aos empréstimos europeus e do Fundo Monetário Internacional?

É claro que há os russos, é também óbvio que existem, além destes, os americanos, nada interessados numa Grécia alinhada com a Rússia… Mas estarão estes países mesmo disponíveis para, como costuma dizer-se, “abrirem os cordões à bolsa” para ajudar os gregos?. Tendo em conta as dificuldades económicas pelas quais cada um deles, à sua maneira, está a passar, não me parece que isso seja garantido.

Neste momento Alexis Tsipras já deve estar a perceber que conseguir o que pretendia não vai ser nada fácil. É que sem dinheiro pouco se faz, mesmo com muito boa vontade.

Por outro lado, os europeus também já perceberam que algo terão que fazer que permita aos gregos manter pelo menos alguma esperança num futuro melhor, sob pena do caos se poder instalar naquele país, com consequências imprevisíveis para o resto da Europa.

Assim, apesar da aparente irredutibilidade de algumas posições, estou convencido de que ambas as partes vão ter que ceder: os europeus vão ter que contribuir para aliviar um pouco a pressão sobre a população grega de uma forma que permita, eventualmente, salvar a face a um governo democraticamente eleito; o Governo grego vai ter que “pôr na gaveta” uma parte significativa das suas ideias.

Se a posição grega servir para meter na cabeça dos líderes e instituições europeus que a austeridade pela austeridade de nada vale e que é preciso saber distinguir entre “despesa” e “investimento”, cortando-se na primeira mas mantendo, ou até reforçando, se possível, o último, já terá sido dado um grande passo no sentido correto. Esperemos que, pelo menos, isso seja conseguido.

E quanto a nós?

Quanto ao nosso país, espero que as pessoas não se iludam e percebam de uma vez por todas que a saída para a crise não se faz por decreto, eventualmente através de um que diga apenas: “não pagamos o que devemos”.

No meu entender, para sairmos da situação em que nos meteram, só nos resta sermos cada vez mais exigentes no exercício da nossa cidadania. Para isso, devemos ter bem presente o que aconteceu até agora e exigir mudanças. Mas mudanças que não sejam apenas o velho alternar entre uma cor e a outra, deixando instalados os mesmos interesses e os mesmos grupos que têm dominado Portugal.

É chegada a altura de, tal como aconteceu na Grécia, os jovens darem um passo em frente e dizerem o que querem para o seu futuro e como pretendem consegui-lo, seja isto feito dentro dos partidos que atualmente existem, ou fora deles.

Estou certo de que a maioria dos nossos jovens quer contribuir para o desenvolvimento do nosso país num ambiente de transparência, de abertura a novas ideias, livre de certos grupos dominantes, alguns deles constituídos em verdadeiras seitas secretas, que não deixam espaço para mais ninguém e que consomem para seu benefício os muitos recursos do nosso país.

Com determinação, mas também com realismo, tudo é possível.

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Loja Lusa

Blog dedicado ao melhor de Portugal e dos produtos portugueses.

O Que Dizes Tu?!

Os olhos dizem o que as mãos pensam

The Fujifilm Blog

We love pictures, like you!

O Informador

Jornalismo, média, actualidade nacional e internacional

The Daily Post

The Art and Craft of Blogging

Desvio Colossal

Macroeconomia, Finanças Públicas & Economia portuguesa

Ilimitado

"Nunca se alcança objetivos com lágrimas"

No Reino da Dinamarca

Something is rotten in the State of Denmarke

Aventar

Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

VAI E VEM

Não renunciarás à tua liberdade de expressão e de opinião

The WordPress.com Blog

The latest news on WordPress.com and the WordPress community.

%d bloggers like this: