A propósito da Queima do Gato


Ontem à noite, como já é meu hábito, sentei-me frente ao computador para ver e-mails, notícias, Facebook, Youtube… Mas ao contrário do que é costume, não tinha ao meu lado a cadeira onde se costumam sentar  a minha mulher ou filhas quando veem comigo algo que também lhes interessa ou algum dos meus três gatos, quando não está ocupada por nenhuma delas.

Passados uns minutos, o meu gato Nemo Branquinho entrou no quarto, olhou em volta, e subiu para a dita cadeira que, desta vez, se encontrava afastada de mim.

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Depois de algum tempo em que o ignorei, olhei para ele e notei que não estava com o ar relaxado que costumava apresentar quando se deitava na cadeira ao meu lado. Resolvi, por isso, arrastá-la para junto de mim.

Surpreendido pelo súbito movimento, o bichano levantou-se mas, quando eu julgava que se ia embora, rodou sobre si próprio, deu-me uma turrinha, uma pequena mordiscadela (as mordidinhas de amor, como lhes chamo…) e deitou-se então com o ar regalado do costume.

Apesar de já estar habituado às manifestações de carinho deste meu pequeno felino, não deixei de ficar surpreendido com a clara demonstração de agrado por ter sido colocado no seu lugar habitual, ao meu lado.

Concentrei-me de novo no computador e eis que deparo com um convite de uma das minhas sobrinhas para assinar uma petição intitulada Fim da cruel tradição “A Queima do Gato”. Aquilo pareceu-me tão estranho, tão fora da realidade, que por momentos supus que ela teria caído num qualquer logro, dos muitos que existem na Internet.

Feita uma pesquisa, porém, não só constatei que tal tradição existia no nosso país, mais concretamente na freguesia de Mourão, concelho de Vila Flor, como encontrei no site do Correio da Manhã, um vídeo com a última queima.

Sabendo que ia ficar incomodado com o que ia ver, lá cliquei no vídeo e, numa crescente estupefação, assisti à forma como pessoas vivendo no nosso país, falando um português escorreito, vestidas como nós e numa rua como muitas das nossas ruas, torturavam um pobre gato, queimando-o, para seu divertimento, totalmente indiferentes aos gritos desesperados do animal  que no final da diversão fugiu para parte incerta, sem se saber a gravidade das queimaduras que lhe haviam sido infligidas.

Será que aquela gente é tão primária e destituída de ideias que não consegue arranjar outra forma de atrair pessoas para a sua festa que não tão lamentável divertimento? Que tal, dando apenas alguns escassos exemplos, corridas de cavalos ou até de cães, concursos de canto, corridas de sacos, ou simplesmente um bom jantar, regado pelo excelente vinho da zona, desde que um eventual excesso do seu consumo não os conduza a torturar, da mesma ou de outra forma, inocentes animais?

Lembrei-me de uma frase do célebre matemático Pitágoras (sim, aquele do teorema…) que diz algo como isto: Enquanto os homens continuarem a massacrar os seus irmãos animais reinará na Terra a guerra e o sofrimento e matar-se-ão uns aos outros, pois aquele que semeia a dor e a morte não poderá colher nem a Alegria, nem a Paz, nem o Amor.

Pitágoras era tão coerente nestas suas afirmações que fazia questão de ser vegetariano. Eu, infelizmente, ainda não consegui chegar a esse estado (embora tente caminhar para lá). Mas já que tenho que viver com a vergonha de contribuir para a matança de seres inocentes, que não seja apenas por bárbara e alarve diversão.

Se quiser, assista à Queima do Gato e assine depois, eventualmente, esta petição.

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2 comentários

  1. maria dolbeth · · Responder

    Como sempre digo, o fato de alguém conseguir vestir um “jeans” e uma camiseta, não faz dele(a) um ser humano. Já ouvi críticas ferozes por causa desta minha convicção, mas quanto mais vivo, mais forte ela fica.
    E não depende da hierarquia dentro da manada, seria incoerente dizer classe social, como vês, o português escorreito é inversamente proporcional ao caráter.

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    1. Por muito que me custe admiti-lo tenho que concordar com o que dizes…

      Gostar

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