Grécia: às vezes é bom sonhar


O serão do passado domingo passei-o, como já previa, frente à televisão a ver o que se estava a passar na Grécia.

Primeiro, foi a surpresa da magnitude do “não”, embora ninguém saiba exatamente a que é que os gregos disseram não, a começar por eles próprios.

Depois, foi a celebração popular e o discurso de Alexis Tsipras, sublinhando, mais uma vez, que o “não” no referendo não era um mandato para romper com a Europa mas sim um importante apoio à sua posição negocial, algo que é muito pouco evidente para quem quer que olhe com alguma objetividade para o que se está a passar.

Felizmente, dada a forma como decorreu o referendo, não aconteceu para já a forte bipolarização da sociedade grega que eu previa, o que foi muito positivo. Afinal, o referendo foi até um motivo para as pessoas se unirem num patriotismo e num entusiasmo que é bonito de se ver, sobretudo a partir de um país, o nosso, em que a autoestima popular está tão em baixo.

Concentrei-me, pois na celebração grega, na alegria que transparecia nos risos, danças e abraços daquela multidão que se concentrava na Praça Sintagma e subitamente senti-me a voltar muitos anos atrás, a uma época em que ainda era jovem e em que celebrei em cantos livres, comícios e acalorados debates, uma liberdade acabada de conquistar, convencido de que a democracia era um sistema quase perfeito.

Voltei a concentrar-me na festa que continuava a desenrolar-se perante os meus olhos.

Afinal, porque é que aquelas pessoas não podiam convencer-se, nem que fosse apenas por umas horas, que não podiam ficar pior do que estavam – embora se possa ficar sempre pior – ou que tinham finalmente um líder que os ia defender contra tudo e contra todos – apesar do nosso mundo ser efetivamente dominado pelo dinheiro e de estar praticamente destituído de poder quem não dispõe dele em quantidades significativas?

Não é sonhando que passamos alguns dos melhores momentos das nossas vidas? – pensei eu, voltando a recordar os tempos da minha juventude.

E foi confortado por essas recordações de um passado distante que apaguei a luz e me preparei para dormir, esquecendo por momentos, também eu, que a seguir a qualquer sonho há sempre um acordar.

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