Ainda temos verdadeiros políticos?


Se a credibilidade dos nossos políticos junto do seu eleitorado já não era muita, depois do último ato eleitoral passou a ser ainda menor.

Efetivamente, depois de António Costa conseguir perder as eleições, num contexto que dificilmente lhe poderia ser mais favorável, devido a uma sucessão de “tiros nos pés” que em nada abonam a sua qualidade de político experiente, o país assistiu, estupefacto e preocupado, a um inesperado contorcionismo de vários intervenientes políticos que parece não ter ainda chegado ao fim.

Em primeiro lugar, surge o próprio António Costa, o grande derrotado da noite eleitoral, que em vez de se demitir e deixar ao seu sucessor o papel de líder da oposição ao governo, como tem sido tradição no nosso país, resolveu não só continuar no cargo mas ainda tentar uma associação à esquerda que lhe permitisse assumir, apesar do pobre resultado eleitoral, o tão ambicionado cargo de primeiro-ministro.

Esta estratégia até poderia ser aceitável, não fosse o facto do mesmo político ter, poucos anos atrás, contestado o seu antecessor na direção do partido por este ter ganhado as eleições com uma expressão considerada insuficiente (repare-se: ganhado e não perdido) e ter-se também, durante a campanha eleitoral (e não só), demarcado claramente das principais ideias defendidas pelos partidos à sua esquerda, contra as quais o seu partido sempre esteve.

Ou seja, António Costa, um candidato a primeiro-ministro deste nosso país, comportou-se como mais um político que tudo faz para “arranjar um tachinho”, como diz o povo.

Mas do lado dos tais partidos da esquerda a surpresa também não foi menor. É que aqueles, contra todas as expetativas, manifestaram-se disponíveis para apoiar um governo liderado pelo PS, pondo de parte as suas principais ideias que – nunca é demais recordar – incluem o  repúdio de muitos dos aspetos que fazem parte da essência do nosso país na atualidade, como a sua integração na zona euro, na União Europeia e na NATO e das políticas que foram seguidas nos últimos quarenta anos, quer pelo PSD/CDS, quer pelo PS.

Outra coisa muito Interessante para mim foi ver a esquerda a dizer que ganhou as eleições, como se o Partido Socialista não fosse um partido do centro e o eleitorado português, ao votar maioritariamente no PSD/CDS e no PS não estivesse a subscrever uma política que nada tem a ver com a ideologia do PCP ou do Bloco de Esquerda, conforme José Gomes Ferreira muito bem expõe num artigo que recentemente publicou no Expresso (leia o artigo aqui).

Olhando para o atual panorama político, o Zé Povinho coça a cabeça apreensivo e diz: “eles são todos iguais, eles querem todos o mesmo…”

E eu, que tanto tenho tentado lutar contra essa ideia, pergunto-me: será que o Zé Povinho tem razão, será que já não temos verdadeiros políticos?

Anúncios

2 comentários

  1. Maria Leonor Dolbeth · · Responder

    Depende do que se chama de verdadeiros políticos. O que vemos aqui, é o típico comportamento de políticos profissionais. Por quê? Porque que a política também se profissionalizou. Tornou-se um jogo de xadrez em que participam peças não só do seu próprio país, mas do grupo, seja ele geográfico ou econômico, a que pertence.
    Por isso tudo nos parece confuso, mas não é necessariamente desonesto. Como dizia o nosso grande Luís de Camões, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

    Gostar

    1. Quando me refiro a verdadeiros políticos refiro-me a pessoas que estão na política porque têm ideias firmes sobre o que deve ser o seu país e qual o rumo que lhe deve ser dado e que põem o interesse coletivo acima do individual. Onde estão eles? É que só vejo gente interessada em defender os seus próprios interesses e em satisfazer as suas pequenas ou grandes vaidades…

      Gostar

Deixe uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Loja Lusa

Blog dedicado ao melhor de Portugal e dos produtos portugueses.

O Que Dizes Tu?!

Os olhos dizem o que as mãos pensam

The Fujifilm Blog

We love pictures, like you!

O Informador

Jornalismo, média, actualidade nacional e internacional

The Daily Post

The Art and Craft of Blogging

Desvio Colossal

Macroeconomia, Finanças Públicas & Economia portuguesa

Ilimitado

"Nunca se alcança objetivos com lágrimas"

No Reino da Dinamarca

Something is rotten in the State of Denmarke

Aventar

Expor ao vento. Arejar. Segurar pelas ventas. Farejar, pressentir, suspeitar. Chegar.

VAI E VEM

Não renunciarás à tua liberdade de expressão e de opinião

The WordPress.com Blog

The latest news on WordPress.com and the WordPress community.

%d bloggers like this: