Foi com muito agrado que li no DN online que o juiz Carlos Alexandre defende a liberalização do comércio das drogas (pode ler o artigo aqui).
É que, desfrutando aquele Senhor da popularidade que sabemos e tendo a profissão que tem, pode ser que – finalmente – se comece a olhar para essa possibilidade com mais atenção.
Lamentavelmente, a maior parte das pessoas entende que se defendemos a liberalização do comércio das drogas é porque somos drogados ou então queremos começar a usar drogas. Nada poderia estar mais errado, porém.
Liberalizando o comércio das drogas acabava-se com os chorudos rendimentos dos traficantes que fazem com que estes se disponham a correr todos os riscos e a desafiar permanentemente as autoridades para fornecer, a preços exorbitantes, os desgraçados que, não raras vezes arrastados para o vício por quem agora os explora, desesperadamente necessitam de mais uma dose.
Afinal, como bem aponta o juiz Carlos Alexandre e como eu próprio já referia em 2013, sem nenhuma originalidade, aliás, tantas vezes isto tem sido apontado (veja-se o meu artigo aqui), nem sequer iríamos fazer uma nova experiência. O que aconteceu nos Estados Unidos da América com a Lei Seca (tal como outras situações semelhantes), demonstrou o que aconteceria aos traficantes caso se legalizasse o comércio das drogas atualmente consideradas ilícitas: desapareceriam, pura e simplesmente.
Deixemo-nos de hipocrisias: estamos de acordo com a venda praticamente livre de álcool; estamos de acordo com a venda praticamente livre de tabaco; consentimos que se vendam nas farmácias produtos psicotrópicos muito mais potentes que muitas das drogas ilegalizadas mas, talvez porque fica mal defender uma opinião diversa, somos contra o comércio das drogas ilegalizadas.
Cada um tem a sua experiência de vida e conhece as realidades com que se defrontou. No que me diz respeito, conheço mais casos de pessoas que se degradaram com o consumo do álcool, algumas delas já falecidas devido a cirroses e outras doenças provocadas por essa droga, do que casos dos chamados “drogados”, embora, naturalmente, também conheça alguns verdadeiramente lamentáveis.
Ao abordar novamente este tema no meu blog – já é a terceira vez que o faço – peço-vos apenas que se disponham a pensar abertamente sobre este assunto, que leiam alguma informação sobre o mesmo – incluindo as opiniões de pessoas que sofreram pela morte de entes queridos arrastados para as drogas pelos traficantes – e que, por fim, perguntem a vocês próprios o que é mais sensato. Será que é continuar esta guerra invencível contra os traficantes, ou, pura e simplesmente, retirar-lhes a fonte de rendimentos que os enriquece, ao ponto de serem mais poderosos que a mais poderosa das polícias?
Eu já há muitos anos que não tenho quaisquer dúvidas.