Já há algumas semanas que digo aos meus amigos e conhecidos que, mais do que a Coreia do Norte, me preocupa a situação na Catalunha.
A razão desta preocupação reside no facto de estar a ver desenhar-se um conflito no país vizinho cujo desfecho é totalmente imprevisível e que poderá ser, dependendo das estratégias e reações de cada um, de uma gravidade extrema.
Discutir se é legal, ou não, a declaração de independência do parlamento da Catalunha, não faz para mim qualquer sentido. Uma revolução é por natureza ilegal e é perante uma revolução que nos encontramos, embora a sua validação futura esteja dependente dela promover, ou não, aquilo que deseja o respetivo povo.
Parece-me, pois, que os espanhóis, mais do que debaterem a questão da legalidade, deveriam procurar negociar com os catalães − nem que isso obrigasse à alteração da respetiva constituição − a realização de uma qualquer espécie de referendo sobre a independência daquele território, referendo esse que deveria, naturalmente, ser antecedido de um intenso trabalho de esclarecimento sobre os prós e contras dessa independência. Custa-me a crer que os catalães, se bem informados, não percebessem as enormes desvantagens que a independência lhes traria…
Infelizmente, porém, as partes em conflito não estão ainda a tentar negociar nenhuma solução para o mesmo e, pelo contrário, assumem posições tão afastadas que a situação pode descontrolar-se a qualquer momento. Isto, apesar de ambos os lados estarem a tentar comportar-se de forma civilizada, com particular destaque para os catalães, que até aqui têm sido irrepreensíveis nesse aspeto.
Para que a violência ecluda basta haver um incidente, ou uma sucessão deles, que qualquer uma das partes considere insuportável. E depois dela eclodir, tornar-se-á difícil controlá-la. Qualquer político sabe isto, incluindo os extremistas…
Preocupo-me, então, pelos espanhóis, cuja paz está ameaçada e preocupo-me também pelos portugueses.
É que Espanha, além do nosso único vizinho, é também o nosso principal parceiro comercial.
Numa altura em que, com muita dificuldade, estamos a tentar reerguer-nos de uma crise económica que ainda não acabou, uma das piores coisas que nos podia acontecer era um conflito armado mesmo à nossa porta. Mas até aqui a probabilidade dele acontecer só tem vindo a aumentar.
Esperemos, então, que esta situação seja rapidamente invertida e que o bom senso prevaleça. Para o bem dos espanhóis e dos portugueses.