Afinal, somos, ou não, contra os corruptos?


Qualquer um que use as redes sociais recebe regularmente apelos para partilhar publicações que se insurgem contra a corrupção no nosso país e que, não raras vezes, “exigem” a tomada de certas medidas contra esse fenómeno.

Assim – que ingénuo sou eu! –  pensei que rapidamente seria subscrita por milhares de pessoas uma petição que, por acaso, descobri no site da Assembleia da República pedindo que fossem discutidas em plenário daquele órgão de soberania algumas alterações ao nosso regime jurídico que o tornassem mais eficaz no combate à corrupção, concretamente, “1- Que seja introduzido o princípio do início do cumprimento da pena após decisão em 2ª instância que confirme sentença condenatória proferida em 1ª instância; 2- Que seja introduzido o princípio da colaboração premiada, enquadrada por regras claras de segurança de prova e que seja vedado o perdão total da pena, no caso de colaboração do condenado; 3- Tolerância zero à prescrição.”

Para ajudar à obtenção das 4.000 assinaturas que obrigariam à discussão daquela petição em plenário da AR, não só a assinei de imediato, como também fiz a sua divulgação a grande parte dos meus amigos. Isto, embora supusesse, como atrás referi, que não faltariam assinaturas, dado o interesse da população em geral por este tema. Depois disso, preparei-me para ver subir em flecha o número de assinaturas, que ia apenas em cerca de 20.

Para meu grande espanto, porém, volvido cerca de um mês, o número de assinaturas não vai além de pouco mais de 70!

Ou seja, confirma-se aquilo que muitos dos meus amigos me têm dito: os portugueses só falam, falam mas quando chega a hora da verdade, nada fazem. Coisa que só piora se tiverem que se identificar, como é o caso…

Sabendo isso, os corruptos continuam a tecer as suas teias e a enriquecer à custa do nosso empobrecimento e dos nossos sacrifícios. Sabem que, mesmo que os seus atos criminosos sejam descobertos, pouco ou nada lhes acontecerá e que de uma forma ou de outra colherão os frutos da sua rapina.

Enquanto isto continuar a acontecer, Portugal,  que não é, de modo algum, tão pobre quanto nos querem fazer acreditar, continuará na cauda da Europa, arrastando-se penosamente, enquanto o povo troca (perdoem-me a expressão), estupidamente, mensagens nas redes sociais, de preferência de forma anónima, contra a corrupção e os corruptos.

Deixo ao fim deste texto uma ligação para a petição atrás referida. Não que ainda acredite no seu sucesso, mas apenas como mera informação.

Metam nas vossas cabeças, porém, que uma das formas de, em democracia, influenciar os destinos do país, é mesmo através do direito de petição e não através de partilhas sem quaisquer consequências, no Facebook e noutras redes sociais, de textos mais ou menos inflamados contra aquilo que vos preocupa.

Feliz Ano Novo!

https://participacao.parlamento.pt/initiatives/406?fbclid=IwAR03FfyOIOZVX2Gv-dgORjxfxlXKtFyPoZuL4mF8sOhtp9mECCU6XvG8Wyg

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